Vamos tirar a bulimia e anorexia da invisibilidade social

Ao lado de recomendação médica contra gordura corporal, a pressão social do padrão de beleza que se baseia em modelos bonitas e absolutamente magras, sem um grama de gordura no corpo, tiraniza a vida de muita gente.

Hoje, a quantidade de pessoas que luta para perder peso, faz dietas e toma remédios é enorme. Essa preocupação exagerada pode provocar um distúrbio psiquiátrico grave, cada vez mais frequente, que é a distorção da autoimagem. A pessoa se olha no espelho e vê uma figura obesa que não corresponde à realidade. Não nota a perda de gordura subcutânea nem os ossos proeminentes.
Iludida por essa falsa imagem, imagina-se com excesso de peso e diminui obsessivamente a ingesta até que, num dado momento, não consegue mais comer. Como consequência, pode desenvolver problemas graves de saúde que chegam, às vezes, a ser fatais.
Trago aqui três referências sobre o tema.

Uma entrevista do Dr. Drauzio Varella com Táki Cordás, médico psiquiatra e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo. Vale ler o excerto que mostra a diferença entre bulimia e anorexia nervosa:

Na anorexia nervosa, o emagrecimento é muito acentuado. 

Para avaliá-lo, utiliza-se como parâmetro o IMC (índice de massa corpórea que é igual ao peso dividido pela altura ao quadrado). Na mulher, esse número deve variar entre 19 e 24 e nos homens, entre 20 e 25. Índices inferiores a 17 ou 17,5 indicam perda de peso importante. Pacientes com anorexia nervosa sempre apresentam peso abaixo do normal e recusam-se a alimentar-se adequadamente mesmo sabendo do risco que correm. Dedicam-se a atividades físicas exageradas, jejuam, vomitam, usam recursos purgativos e moderadores de apetite, porque têm uma distorção grave da autoimagem. Moça esquálida, pesando 20kg, é capaz de sentir-se obesa e dizer: “Olha como meu quadril está enorme! Eu estou um elefante, preciso continuar emagrecendo!”. No Hospital das Clínicas, às vezes, aparecem pacientes que antes de qualquer atendimento psiquiátrico são mandados para a UTI, tal a gravidade do seu estado de inanição.

Na bulimia, os sintomas são diferentes. Não é a magreza que chama a atenção.

Às vezes, são mulheres de corpo escultural que cuidam dele de maneira obsessiva. Passam o dia fazendo dieta. Vão a restaurantes e pedem somente uma salada. Se houver uma batatinha palha no prato, colocam-na de lado. No entanto, de uma hora para outra abrem a geladeira ou vão a uma confeitaria e comem tudo o que veem pela frente.

Apesar de a ingesta normal do indivíduo variar entre 2.000 Kcal e 2.500 Kcal diárias, elas conseguem comer num único episódio de 5.000.Kcal a 20.000.Kcal de uma vez. Depois vomitam, vomitam muito. Algumas chegam a vomitar 5,10, 15 vezes por dia para evitar o aumento de peso e provocam tantos vômitos que chegam a ferir os dedos.
O outro é o exemplo da luta real de uma moça maravilhosa.

Miriam é uma amiga muito querida que conheci logo no começo dos encontros de blogs, lá em 2008. Nos gostamos de cara e na primeira noitada já trocamos confidências. Mas eu só descobri a gravidade da dor que a consumia em 2014, quando ela começou esse trabalho incrível para tirar a bulimia da invisibilidade social.

Leiam o relato dela, passem para frente, mostrem para as amigas.

#Repost @mbottan:

Eu costumo dizer que meu transtorno alimentar começou aos 13 anos, quando comecei a vomitar comida, mas não é verdade. Começou aos 6/7, quando comecei a competir com outras meninas pelo posto de “mais bonita”. Aos 13, ao engordar dois quilos, eu só tive a certeza cega de que precisava reverter aquilo a qualquer custo. Aos 15 a doença já estava estabelecida e eu só sairia desse buraco quase 15 anos depois. Mesmo assim, sou parte de um grupo estimado em 50%. . Metade das meninas não se recuperam. . Ontem falei novamente sobre isso com meus pais e mais uma vez eles desabafaram sobre como teriam feito tudo diferente se entendessem naquela época o que entendem hoje. Pra nós, os anos e as oportunidades perdidas não voltarão, mas ainda pode ser cedo para você. Você pode entender HOJE. . Uma criança é uma tela em branco e por muito tempo serão os pais que pintarão os tons que a acompanharão por anos e talvez até por toda a vida. Não coloque a beleza de sua criança à prova. Não crie nela o sentimento de dependência e apego pela aparência, não plante essa semente cujos frutos serão apenas insegurança, paranoia e dor. . Não elogie características que causem pressão pelo medo de serem “perdidas”. Nem mesmo inteligência. Elogie o esforço. Estimule o conhecimento, estimule a realização de sonhos. . E esteja alerta para garantir que sejam os sonhos dela, não os seus. . #bulimia #transtornoalimentar #anorexia

A photo posted by Mirian Bottan (@mbottan) on

E por fim um caso extremo, citado no Cosmethica e parte de uma leitura sobre a solidão e escravidão que vivemos nas redes sociais.
Vivemos hoje a sociedade do espetáculo, por isso a reflexão da psicóloga Marleide Rocha é valiosa para percebermos se estamos cruzando a linha entre o saudável e o patológico em nosso comportamento nas redes sociais.

O tema é super atual é interessante! Leia aqui.

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Sam Shiraishi

Paranaense, Jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela. Mooquense de coração. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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