Como as crianças começam a desenvolver o raciocínio matemático?

Como mãe, eu sempre acreditei que a maior parte da aprendizagem acontece em casa, brincando, na rua, descobrindo o mundo!

Por isso, abusei de colo nos passeios a pé, de slingadas para ver o mundo sob outro prisma (e altura), passeios na feira e na praça, descobrindo flores, bichinhos, frutos. Brincamos de lego e de blocos de madeira, fazíamos papel machê e inventamos com papelão, cantávamos e dançávamos, mas, sobretudo, a gente conversava. Cozinhando, os meninos e Manu brincavam de contar o que tinha, de verificar o formato dos vegetais que cortávamos, de mexer nos grãos. Enfim, em tudo, do trepa trepa do parquinho ao prato de almoço, tudo tinha um pouco de aprendizado sem perceberem.

Daí hoje a querida Célia Marques (sempre ela), compartilhou uma notícia que me fez pensar neste assunto e organiza parte do que tenho feito.

O raciocínio matemático é bastante complexo e exige capacidade de abstração cada vez mais refinada por parte da criança. Saiba como esse processo começa e de que forma pode ser favorecido!

Muitas vezes tendemos a pensar que certos conhecimentos complexos, como os matemáticos, são desenvolvidos pelas crianças apenas a partir de atividades escolares direcionadas. Entretanto, antes mesmo de entrar na escola, os pequenos já começam a elaborar certas compreensões a partir do que observam, vivenciam e experimentam. Isso dará base para que, posteriormente, possam entrar em contato com raciocínios mais elaborados.

Como será que se dá a aprendizagem dos rudimentos da matemática em crianças muito pequenas? De que forma podemos favorecer esse processo? O professor Jeff Bisanz, da Universidade de Alberta no Canadá, realizou diversas pesquisas sobre o tema e algumas das informações que obteve foram divulgadas pela Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância.


 Veja a seguir algumas delas:

-Aos 6 meses: Nessa fase, as crianças gradualmente conseguem perceber a diferença entre pequenos conjuntos de elementos com quantidades diferentes (por exemplo, um pote com 2 e outro com 3 morangos colocados lado a lado). Também são capazes de distinguir conjuntos com maior quantidade de objetos, caso a diferença entre os agrupamentos seja significativa (por exemplo, um recipiente com 16 bolinhas de gude e outro com 32).

-A partir de 3 anos: Nesse momento, as crianças são capazes de contar até 10 de forma cada vez mais autônoma. Elas conseguirão, aos poucos, utilizar esse conhecimento para contar quantos objetos existem em uma determinada situação. Convidá-las a fazer esse exercício de forma descontraída é uma forma de ajudá-las a dominar cada vez mais essa habilidade. Isso também favorece que compreendam de forma cada vez mais consistente o significado dos números (por exemplo, a noção de que 4 é sempre mais do que 2 e 5 é sempre menos do que 6 quando pensamos em quantidade de elementos).

-Aos 6 anos: Nessa idade, as crianças já conseguem contar com maior habilidade, chegando a quantidades maiores. Já começam a compreender de forma mais desenvolta as relações entre quantidades diferentes e o significado dos números. Podem chegar a fazer somas e subtrações simples.

É importante que os adultos favoreçam oportunidades de a criança explorar o raciocínio matemático de forma natural e lúdica. Isso fortalecerá seu interesse pelo assunto, permitindo também uma compreensão dos contextos em que a matemática está presente na rotina. Algumas possibilidades interessantes com esse intuito, apontadas por Jeff, são jogos de tabuleiro, brincadeiras com cubos, dados e quebra-cabeças, contar objetos, figuras ou partes do corpo junto com a criança de forma divertida e utilizar linguagens como a arte e a música para lidar com quantidades (por exemplo: desafiar a criança a desenhar 3 laranjas e 1 maçã ou batucar um tambor num determinado ritmo).

Além das situações citadas pelo pesquisador, outras investigações apontam que as crianças pequenas também aprendem, desde cedo, os diferentes contextos em que os numerais aparecem socialmente, nem sempre representando quantidades, como no caso de números de telefone. Com pequenas ajudas, avançam na contagem de objetos (por exemplo, conforme lhes oferecemos os chamados “marcos”, 10, 20, 30 etc., as crianças, de posse dessa informação, conseguem seguir contando: “31, 32, 33…” e aprendem sobre as regularidades ali presentes). Por volta dos 5, 6 anos, são ainda capazes de multiplicar e dividir, lidando com quantidades menores e não de forma convencional, mas a partir de suas próprias estratégias.

Vale ressaltar que quanto mais oportunidades a criança tiver de entrar em contato com a linguagem matemática espontaneamente antes da idade escolar, mais fortalecida ficará a sua base para desenvolver raciocínios complexos nessa área do conhecimento posteriormente. Infelizmente, nem todas as crianças têm a mesma chance de experienciar situações favoráveis nesse sentido e isso gera diferenças significativas em seu ponto de partida quando chegam à idade escolar.

Para saber mais sobre o assunto, acesse o artigo completo clicando aqui!

 

 

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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