Maternidade desperta o espírito empreendedor das mulheres

 

O termo é relativamente novo no Brasil, mas em países como Estados Unidos e Canadá o movimento Mompreneur (mães empreendedoras) ganha adeptas e engloba mulheres que enfrentaram o dilema de ser mãe e permanecer no mercado de trabalho até o final da gestação, cumprindo jornadas exaustivas.

Por estarem insatisfeitas com a falta de tempo para acompanhar o crescimento de seus filhos, elas romperam com os trabalhos formais para se tornarem empresárias e desempenharem a função de mãe. Trabalhando em casa, em escritórios montados ou em cantinhos improvisados, têm tempo para acompanhar o dia a dia das crianças e encontram nelas inspiração para criar e se aventurar no próprio negócio.

Depois do primeiro ciclo de entrevistas do The Girls On The Road, que aconteceu nos Estados Unidos e Canadá durante junho e julho de 2016, Taciana Mello e a Fernanda Moura, fundadoras do projeto, chegaram a algumas conclusões:

  • O empreendedorismo, para as entrevistadas, é uma forma de se sentirem realizadas como profissionais e, ao mesmo tempo, como mães pelo fato de conseguirem ter uma agenda mais flexível.
  • Outra motivação para elas é trabalhar em algo que de fato traga mais satisfação pessoal do que a atividade que exerciam no mundo corporativo.
  • Além disso, têm utilizado as lições aprendidas na maternidade para melhorar seu desempenho e muitos negócios surgem a partir da observação ou experiência pessoal.
  • Nessa empreitada, os pais são peça fundamental 

Segundo Fernanda e a Taciana, mães americanas e canadenses não contam com o apoio de outros familiares, a não ser dos maridos, no dia-a-dia das crianças porque, na maioria dos casos, os avós moram em cidades distintas. “Culturalmente, o homem americano e canadense já é mais envolvido na gestão do lar e criação dos filhos. Eles foram criados assim e, por saírem de casa, em geral, mais cedo que brasileiros, já estão envolvidos em atividades domesticas antes mesmo do casamento”.

Uma pesquisa da Talenses – consultoria de recrutamento executivo – evidencia alguns motivos relacionados à dificuldade das brasileiras contarem com o apoio dos pais. A consultoria realizou uma pesquisa para entender o funcionamento da licença paternidade de 20 dias no Brasil. A pesquisa foi respondida por 141 gestores de RH, principalmente de grandes empresas (74% das empresas na qual os respondentes atuam tem mais de 500 funcionários). Apenas 18% dos gestores de RH entrevistados afirmaram que as empresas em que atuam oferecem licença paternidade de 20 dias. Entre as empresas nacionais, 11% oferecem licença paternidade de 20 dias; contra 23% das empresas estrangeiras. De acordo com Rodrigo Vianna, Diretor da Talenses, a maior adesão ao benefício das empresas estrangeiras se dá justamente por estas estarem mais adaptadas ao benefício, que é mais comum fora do Brasil. “Reconhecem que trata-se de uma forma de atrair e reter talentos”, afirma.

 

Projeto The Founders

Como primeira iniciativa das fundadoras Taciana Mello e a Fernanda Moura, foi lançado este ano o projeto F♀unders, que percorrerá mais de 15 países nos cinco continentes, durante um ano, com a missão de identificar, entrevistar e compartilhar histórias de mulheres empreendedoras que impactaram de alguma maneira a realidade à sua volta. O roteiro busca retratar realidades distintas e por isso incluirá países contrastantes como Estados Unidos, Austrália e também Cuba e Vietnã. Além de conversar com as mulheres empreendedoras, o projeto também entrevistará os organismos de apoio de cada país para contextualizar o ambiente local.

A jornada F♀unders, que terá início em julho deste ano, tem o objetivo de apresentar exemplos positivos e voltar o olhar das mulheres para as possibilidades de empreender, além de dar espaço para essa discussão nos países em que visitará. “Em geral, as mulheres sentem-se menos capazes do que os homens e, para empreender, essa condição não é favorável. Mas outro aspecto se destaca: a falta de modelos femininos que sirvam de inspiração”, diz Taciana. Uma das formas de viabilização do projeto será por meio de um crowdfunding para arrecadar parte do investimento necessário para a viagem. A campanha será lançada em breve!

O termo crowdfunding define um modelo de financiamento coletivo em que os simpatizantes de um projeto podem contribuir, doando um valor para financiá-lo. A iniciativa permite que vários projetos saiam do papel sem necessitarem passar pela burocracia de empréstimos bancários ou ajudas do governo ou de grandes patrocinadores.

Os apoiadores e admiradores do projeto poderão acompanhar a viagem de Taciana e Fernanda pelas redes sociais e os patrocinadores do crowdfunding receberão conteúdo exclusivo regularmente. Os patrocinadores podem colaborar com valores que variam entre US$ 25 a US$ 1000 e cada valor corresponderá a uma recompensa diferente.

As páginas do Facebook e Instagram trarão fotos e vídeos dos lugares visitados e um diário de bordo com as percepções sobre as entrevistas realizadas com as empreendedoras locais. As páginas podem ser acessadas pelos links:

 

https://www.facebook.com/thegirlsontheroad/

https://www.instagram.com/thegirlsontheroad/

https://twitter.com/girls_ontheroad

www.thegirlsontheroad.com

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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