Projeto Bota do Mundo é sensacional e inspirador.

Quem acompanhou a transmissão da abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 pelos canais de TV a cabo, no último dia 07 de setembro, viu muito mais do que o show de fogos, o desfile dos atletas ou as muitas homenagens relacionadas a este grande evento. Os espectadores puderam testemunhar histórias de garra e superação, dentre elas a de crianças incapazes de andar sozinhas, mas impulsionadas a ver o mundo sob outros olhos, outro angulo, graças ao sonho de um pai que desejava mais para o seu filho. Essa história emocionante, sobre a qual muitos brasileiros já tinham notícia, emocionou pais e mães em todos os lares brasileiros e fez chorar ambos aqui em casa. A fim de apresentar ao mundo esta iniciativa, a bandeira olímpica foi carregada por uma equipe especial: nove crianças do projeto Bota do Mundo, este que me orgulho em ajudar a propagar. As crianças puderam andar, passo a passo com seus pais, graças às botas especiais inventadas pelo advogado Alexandro Faleiros. Ele é pai de Felipe, 16, que sofreu com falta de oxigenação durante o parto e teve como sequela grandes prejuízos em seu desenvolvimento motor.

Como eu não resisto, coloco o vídeo aqui, porque assim vocês vão entender esse meu post entusiasmado.

O paizão em questão, Alexandro, iniciou o projeto em 2010, após um sonho. Diria eu que foi um sonho de ouro. Diz ele: “sonhei que estava jogando com o Felipe. Acordei no meio da noite, fiz um esboço simples e no outro dia acabei encontrando uma boa alma que deu um start na primeira bota, já que eu não entendia nada de costuras, sapatos e materiais”. Não houve pesquisa nem nada para o primeiro modelo, mas, talvez, a semente para a criação já estivesse em seu subconsciente de alguma forma. “Geralmente, quando eu chegava em casa do futebol, pegava as tornozeleiras e as colocava nas minhas pernas e nas do Felipe e saía andando com ele pela casa”, lembra. Mas foi apenas em 2012, quando ele já estava com 12 anos, que pediu ao pai para participar de uma aula extracurricular de futebol na escola e, aí sim, as botas foram colocadas em uso. Alexandre passou a frequentar todas as aulas para jogar com o filho e a dupla começou a ganhar repercussão. Tanta que eles acabaram inspirando outro projeto, o Bota do Mundo, idealizado por coletivo Smile Flame e realizado a partir de um financiamento coletivo. A ideia partiu do gaúcho Daniel Matos, que está à frente do coletivo, e quis criar um campeonato no qual jogadores e ex-jogadores de futebol, utilizando as botas, pudessem bater pênaltis com as crianças. Foi um sucesso e o evento vem sendo realizado e aprimorado há alguns anos.

Sério, gente, vocês fechem os olhos e imaginem as cenas. A criança não é capaz de andar sozinha, mas consegue chutar rumo ao gol. Chega a ser poético e a disposição, a doação e o esforço de pais, avós e voluntários nestes projetos é algo que me comove demais. Criatividade e paixão.

E eu que, fiquei super empolgada ao ver a entrada das crianças no Maracanã, nesta recente abertura, imediatamente lembrei de quando vi pai e filho numa reportagem do Globo Esporte, anos atrás. Caso tenham interesse e tempo, fica o link para que possam voltar um pouquinho no tempo e ver como era “sonho” literalmente o início desta ação familiar e como ela prosperou por ser uma ideia genuína e boa, em todos os sentidos.

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Alexandro lembra que sua invenção não se limita a jogar bola… “A bota serve para muitas outras coisas. Teve uma criança de Sorocaba, em 2014, que dançou a valsa dela de 15 anos com uma bota customizada que fizemos para ela. Antes disso, ela nunca tinha ficado de pé”, conta. Na vida de Felipe, a invenção também fez toda a diferença muito além da quadra: ele se tornou um menino mais participativo, mais alegre, mais incluído na escola. “A intenção talvez fosse apenas caminhar com ele. Mas a bota proporcionou muito mais: correr, se divertir, se movimentar”, resume o pai. Muito amor, né?!

De acordo com umas notícias que apurei lendo a revista Crescer, desde que que foram inventadas por Alexandro, em 2010, as botas já foram bastante modificadas, tanto no quesito design quanto no custo. Inicialmente, o par poderia custar mais de  R$1 mil, mas, hoje, pode ser comprado por cerca de R$300. O modelo mais novo é feito de náilon com elástico e abotoaduras, que funcionam como clipes próprios para fechamento nos pés, conferindo mais estabilidade. Além disso, há também um colete, vendido separadamente como item opcional, que ajuda algumas das crianças a ficarem mais estáveis enquanto estão de pé.

Sobre a emoção de ver sua invenção, que se tornou referência para esportes adaptados, ganhar destaque na abertura dos Jogos Paralímpicos, Alexandro quase não tem palavras. “Foi surreal. Uma emoção que eu não consigo definir”.abertura-jogos-paralímpicos

O pai enfatiza que todo o crédito é de Felipe, que foi ele quem quis participar do futebol, ele quem quis superar seus próprios limites. Por isso, a mensagem que Alexandro quer deixar a todos os pais, de filhos com e sem necessidades especiais, é a mesma: “Jamais deixe de acreditar em um filho seu. Aposte tudo o que você tiver nele”.

🙂 Para adquirir as botas, entre em contato com Alexandre pelo telefone (16) 98156-5256

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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