Comida bonita e divertida. Adorable food. Kawaii. Você reconhece o assunto?

Comida bonita faz diferença, isso a gente sabe e há uma concordância quase que inânime sobre o assunto. Mas você já fez formas de animais com alimentos? Ou criou personagens de filmes, desenhos animados ou qualquer outro assim só por diversão, apenas para a comida ficar mais atraente e encantadora?

Eu sou criativa, admito, mas não sou uma artista, então quando me aventuro por esses caminhos que envolvem muita disposição, minúcia, arte e culinária, nem sempre chego no resultado desejado, mas ainda assim fico orgulhosa e feliz. Faço biscoitos em casa (massas diversas, mas sem glacê) e moldamos através de cortadores próprios para cookies, mas cá entre nós, até aqueles de massinha podem ser utilizados e são instrumentos baratos com grande diversidade nas casas especializadas em festas. E os pães? Ah, esses são um xodó aqui em casa. Os meninos gostam muito (e o caçula até leva na merendeira) sanduíches de frios com pão de fôrma cortados em formatos especiais que promovem mais diversão na hora do lanche. E funciona, as professoras confirmam o sucesso.

Mas é com relação a frutas, verduras e porções de arroz, totalmente inspirados na culinária oriental que usa muito os bolinhos de arroz como onigiri nas principais refeições, que a gente se inspira. Como sou sansei e já morei no Japão justamente na minha adolescência, naturalmente tornei-me fã da prática do adorable food, expressão em inglês associada a essas miniaturas de encantamento comestível. Olhem para esses pratos e me digam se não são mesmo adoráveis todos os onigiris, os bolos em miniatura, as frutas, as porções de refeições e tudo relacionado… Por essas e outras não é de se espantar que os fãs da comida bonitinha e divertida só cresçam mundo afora. Inclusive, crescem muito também os perfis nas redes sociais que trazem destaques de obentôs, as marmitas japonesas tão comuns naquele país. Um bentô tradicional contém arroz, peixe ou carne e legumes cozidos ou em conserva (picles) como acompanhamento. São servidos em bandejas próprias que possuem repartições e ainda que possam ser comprados em qualquer lugar, é um sinal de capricho quando a pessoa faz em casa, incluindo se preparado pela mãe/esposa.

Seja marmita ou seja lanche escolar, o fato é que é divertido de fazer, especialmente quando se trata de introduzir alimentos novos na alimentação infantil. São sabores e texturas diferentes que poderiam, e comumente são, recusados pela grande maioria das crianças, mas através do lúdico e do bonito, ficam mais propensos a serem experimentados. Exige tempo, é verdade, mas os minutos e o astral envolvidos nesse preparo são também momentos de relaxamento, de escape da correria do dia a dia, então por muitos adeptos, acaba sendo uma terapia. Nas fotos e vídeo abaixo, seguem os nossos favoritos numa rápida pesquisa na web.

image

image

image

image

E agora que sua curiosidade já aguçou, vou compartilhar uma curiosidade sobre um termo que costumo falar muito e que às vezes acompanha as minhas fotos. A expressão japonesa kawaii. Seu significado está diretamente ligado a elementos fofinhos, bonitos, graciosos, por isso ele cabe perfeitamente nesta referência ao adorable food.

Na década de 1970, tornou-se muito popular entre os adolescentes japoneses uma forma de escrita infantilizada. Yamane Kazuma então criou este termo – Kawaii – durante seu estudo sobre a escrita. Anteriormente, a escrita japonesa era vertical e caracterizava-se por linhas cujas espessuras variavam gradualmente ao longo do comprimento. O novo estilo era escrito horizontalmente, preferencialmente com lapiseira para produzir linhas finas e regulares. Esta escrita usava caracteres extremamente estilizados, redondos, com caracteres latinos associados ao katakana e desenhos pequenos como estrelas ou faces, como emoticons, por exemplo. E estes eram inseridos aleatoriamente no texto. Os textos eram difíceis de se ler, mas os caracteres eram facilmente reconhecíveis.

Elementos do kawaii podem ser vistos praticamente em todo o cotidiano japonês, seja aplicado à logomarca de grandes empresas a mercados de bairro, do governo nacional a escritórios locais. Muitas empresas, pequenas e grandes, usam mascotes “fofos” para expor seus produtos e serviços para o público, o que causa empatia e acolhimento. Por exemplo:

  • * Personagens de Pokémon enfeitavam a lateral dos jatos da All Nippon Airways;
  • * O Banco Asahi usou Miffy, um personagem de uma série holandesa de livros ilustrados infantis, em alguns dos seus caixas eletrônicos;
  • * Monkichi, um macaquinho, pode ser visto na embalagem de uma linha de camisinhas;
  • * Todas as 47 prefeituras do Japão têm um mascote kawaii;
  • * A mascote do correio japonês, Yū-Pack é uma caixa de correio estilizada;
  • * O correio japonês também usa outros mascotes, por exemplo, nos selos;
  • * A força policial no japão têm seus próprios mascotes de desenho, muitos deles enfeitando a frente dos kōban (postos de polícia).

 

Tudo muito simpático e agradável de ver, com estratégias de marketing que permitem criar laços com seus consumidores e clientes. Ouso relacionar, inclusive, a expressão kawaii ao sucesso de muitos desenhos animados e alimentos tipo snacks e biscoitos. Reparem nos favoritos, há tempos no mercado. Eu cito o biscoito Koala, hoje licenciado e distribuído no Brasil pela Bauduco. Esse eu comi desde sempre e meus filhos adoram quando achamos nos supermercados.

Enfim, o mercado do kawaii é popular em outras partes do leste da Ásia, incluindo China, Taiwan, e Coreia do Sul. Na cultura ocidental, a palavra kawaii se juntou a um número de palavras japonesas emprestadas de fãs ocidentais da cultura popular japonesa. Enquanto seu uso é quase inteiramente limitado à subcultura otaku, ela já foi usada por personalidades notáveis, como a cantora americana Gwen Stefani, que mencionou kawaii em seu videoclipe Hollaback Girl. E continuará sendo referenciada porque enfim, estamos globalizados e cada vez mais unidos pela internet.

Beijos

(Parte das informações deste texto busquei na wikipedia)

The following two tabs change content below.
Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *