Acampando pela primeira vez. Dicas para famílias.

Um feriado se aproxima e você logo pensa em que passeio poderia fazer com seus filhos, sobrinhos e de repente, netinhos… Viajar para cidades turísticas, embora muito atraentes, às vezes tornam-se destinos muito caros e bastante concorridos. Quando essa é a opção, em geral ficamos presos aos passeios pré-definidos de cada região (cidade e apelo comercial) o que é diferente e vale muita diversão, mas não permite que as crianças fiquem completamente soltas, que interajam com a natureza e se arrisquem em ambientes pouco conhecidos e por isso, muito inspiradores. Neste caso, uma viagem mais curta e com menos “destaque comercial” pode ser uma opção? Com certeza! E aqui cabe uma sugestão muito simples e comum a boa parte das famílias… os acampamentos. Acampar é algo possível para qualquer pessoa e, a não ser que você escolha uma locação de difícil acesso, não é necessário ser nenhum esportista pra fazê-lo. Aliás, a partir do momento em que você decidir acampar, você será um campista, palavrinha que deriva de camping (acampamento, em inglês).

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Com uma infra-estrutura básica ou mega elaborada (a gosto dos campistas), o foco de qualquer acampamento é aproximar-se da natureza, estar num ambiente livre de comércio, onde se pode sentir o ambiente e as pessoas ao seu entorno. A experimentação do contato com a mata, animais, rios, cachoeiras, o fogo, a chuva, unidade do orvalho da manhã e as caminhadas renova qualquer pessoa e tudo está ali, gratuitamente e à nós cabe apreciar. É o conceito de modificar sua forma de lazer e estadia.

Embora pouco comum no Brasil, ou melhor, com pouca infra-estrutura – se comparado ao apoio que há em países como Estados Unidos e Nova Zelândia, por exemplo – especialmente aos veículos grandes (motorhomes e trailers, esses sim, raros no país) ou mesmo aos veículos de passeio, os muitos campings espalhados pelo Brasil podem ser contatados e visitados a um preço acessível e fácil localização. Basta abrir um guia de viagens para notar que assim como há pousadas, hostels e hotéis, figuram ali as marcações de campings e suas especificações. Talvez você não tenha dado muita importância, mas quando puder, repare bem. E caso desejem saber mais, podem recorrer também a sites especializados como o da Associação Brasileira de Acampamentos Educativos.

“Historicamente a atividade do campismo nasceu na antiguidade, em expedições militares, onde tropas completas se amparavam em tendas de tecidos e peles animais. A prática ganhou essência educacional em 1860 ao ser instalada como processo de ensino infantil até que Baden Powel, em 1908, concebeu o escotismo (ou escoteirismo) espalhando-se pela Europa, principalmente no período pós guerra mundial. Quando os grandes centros urbanos industriais começaram a crescer, veio a necessidade de as pessoas fugirem e procurarem locais com grande contato com a natureza. O campismo então, torna-se essencialmente turístico e leva à criação de diversas associações. A maior delas é a Federação Internacional de Campismo e Caravanismo (FICC), com sede na Suíça”. (Fonte: Marcos Pivari)

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Lembro que quando pequena, meu pai contava histórias de acampamento relacionadas à pescaria em rio e também ao Exercito, coisas da sua juventude. Por essa razão, sempre associei a ideia de acampar a algo muito metódico e cheio de regras, coisas que nenhuma criança aprecia muito, ainda mais as meninas – como no meu caso – mais fresquinhas. Mas como tudo é uma questão de experimentação, depois de muito brincar de acampamento dentro de casa, arrastando cadeiras e cobertas por todas as salas do apartamento, seccionando os ambientes da casa como se fossem áreas de risco, perigos iminentes e áreas de descanso, minha imaginação encontrou a realidade num cantinho muito especial nas terras dos Campos Gerais, no Paraná. Foi no Recanto Botuquara, perto de piscinas com água gelada vinda direto do rio de mesmo nome, que, em 1989, fomos acampar com um grupo grande de amigos. Com idade entre 2 e 13 anos, tenham certeza, foram dois dias de muita folia e aquele final de semana rendeu grandes histórias.

Muito tempo se passou e depois de ter me aventurado por acampamentos na Ilha do Mel e na Ilha de Guaraqueçaba, também no Paraná, sempre contando com pouca ou quase nenhuma infraestrutura de apoio, mais recentemente, nossa família se uniu a um grupo de amigos para levar as nossas “crianças ao mato”. Brincadeiras ao falar de mato, na verdade, queríamos apresentá-los a essa experiência de dormir fora de casa de um jeito mais próximo à natureza. Como são meninos muito urbanos, mesmo bastante cosmopolitas, intercalando passeios e viagens urbanas com natureza pura, eles nunca haviam acampado e tinham essa carência. Os comentários os traíam e, por incrível que pareça, muito dessa curiosidade em acampar era oriunda de desenhos animados e filmes infantis. E aí, claro, a expectativa de motorhomes e grandes paradas acabou frustrada. Por isso até, ficamos devendo uma viagem longa para algum país bacana por aí… Quem sabe, o Zé Colmeia será nosso cicerone.

Enfim. Mas deixa eu contar rapidinho como foi esse contato porque quero ainda sugerir umas dicas de acampamento (básicas) e uns conselhos pra quem tem criança!

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Em julho, então, subimos a Serra Fluminense, passando por Teresópolis e Nova Friburgo para acampar na base Vale dos Deuses, no Parque Nacional Três Picos. Essa região é de fácil acesso e após deixar os carros, incursionamos numa caminhada de uns 30 minutos, andando devagar, no ritmo dos pequenos de 3 e 4 anos. No caso de adultos sozinhos, 20 minutos resolveria. Para ter mais emoção, choveu justamente em nossa chegada (coisa que esperávamos porque vínhamos de uma semana inteira chovendo de véspera), mas assim que as barracas instantaneamente armaram-se com ajuda dos pais e tios, a chuva cessou. E, como sortudos que somos, as nuvens se dissiparam e até brincamos de fotografar a lua cheia. Com uma infraestrutura que incluía apenas dois banheiros (completos), pia com bancada e um resquício de fogão à lenha, fomos nos revezando para aquecer macarrão, água para café e a limpeza dos utensílios. O restante, porque hoje tudo é muito fácil e acessível, tínhamos levado pronto e podendo ser descartado. Aliás, por causa disso, nosso peso nas mochilas foi grande. E é nesse quesito PESO DA MOCHILA, que vale uma importante observação, sempre frisada pela nossa guia, a Escaladora e Bióloga Ravena Dias-Melo: você é responsável pelo peso que carregará, por isso só leve na mochila o imprescindível, sem precisar pedir a outro que carregue por você. E sim, num acampamento que exige caminhada ou até escalada, o básico é lei. E não, vocês não são os únicos que ao fechar os olhos pensam em acampamentos grandes, com mesa, banco, fogareiro elétrico e um cooler prontinho ali ao lado. Esse instinto, quase um desejo de conforto, é reflexo de um fenômeno cultural, não se preocupe. E ele é possível! Quando você pode chegar de carro até sua base de acampamento, utilizando o veículo para levar toda a bagagem e inclusive, armazenando-as nele, todos os artigos ligados a praticidade e conforto podem entrar em cena e muita gente prefere. Vale lembrar que acampar não é sinônimo de desconforto. É só uma opção diferenciada de hospedagem.

Enfim. Do nosso acampamento com os meninos, da véspera na casa de um Tio postiço num condomínio em Teresópolis ao final da aventura, nossas fotos (que compartilho com carinho) traduzem a energia boa. E agora aproveito para falar das dicas, seguindo o ritmo de algumas dicas da campista e turismóloga Luiza Campello, do site Fui Acampar.

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DICAS

  • * Escolha um camping com estrutura básica e de preferência que não fique numa região totalmente isolada, pois no caso de uma emergência – o que pra mim significa saúde e acidente – você não terá problemas. Quero dizer que, assim como em qualquer outra viagem, você deve também verificar se há unidade de saúde ou hospital na região, sinal de celular e comércios de referência como postos de gasolina ou supermercados.
  • * Caso este seja seu primeiro acampamento, observe bem a escolha da barraca. Nas lojas especializadas, um vendedor pode te dar boas dicas sobre a quantidade de pessoas e as características para local e clima. Eu diria que se a barraca aponta 3 pessoas, você só terá conforto real para 2. Vale mirar no “exagero” para ter mais conforto. Atualmente, o mercado de camping oferece barracas que parecem mágica, elas possuem uma armação redonda e abrem-se facilmente no momento da montagem. Fique de olho. E caso você vá usar uma barraca emprestada e que não conhece, TESTE antes. Verifique se todas as peças estão ok e se você conseguirá montá-la, assim evita-se um apuro maior depois.
  • * Antes de armar sua barraca, escolha um bom local, plano e uniforme, sem galhos e raízes no chão. Procure colocar a barraca debaixo de uma árvore, para aproveitar um pouco da sombra, mas avalie se não é uma árvore frutífera. Caso não tenha muitas opções, evite ficar perto do acesso aos banheiros, muito próximo das fogueiras ou da margem de rio, se houver.
  • * Um item que pra mim é fundamental, isolante térmico. Iniciantes acabam achando desnecessário, mas vale a dica de que mesmo no verão a temperatura pode cair muito durante a noite, especialmente a temperatura do solo, então, pelo conforto, o uso do isolante antes do saco de dormir é fundamental. Você só não usará um, caso escolha levar colchões infláveis que, aliás, existem em diferentes modelos e alturas. Quando for escolher o seu, leve em consideração seu histórico de dor nas costas (se frequente ou não, alto ou moderado).
  • * Antes da viagem, pesquise bem a previsão do tempo. O ideal é que você não precise encarar chuvas, ventos ou temporais durante o acampamento e inclusive na véspera, porque neste caso, o solo estará bem úmido.
  • * Você pode levar lonas plásticas para o acampamento, para colocar sobre a barraca como um toldo extra ou sob o piso, a fim de vedar melhor o chão. Eu também recomendo. Quando mais tempo durar o acampamento, mais interessante é essa lona extra.
  • * Sua mochila deve ser própria para acampamento porque ela “encaixa” bem os pertences e ainda conta com fitas e bolsos laterais que ajudam a acomodar o peso, dividindo-o, inclusive. E nela você NÃO PODE DEIXAR DE LEVAR acessórios como: fósforos (de preferência embalados num plástico para não molhar), isqueiro (àquele fogo extra e que nem ocupa espaço), repelente (hoje em dia, já é regra em toda parte), protetor solar (não duvide, mesmo sem aparentar sol forte, a gente acaba muito exposto aos raios solares), sacos de lixo (para recolher todos os seus itens e, no caso de não haver lixeira coletiva no local, você deve levar esses sacos de volta para sua origem), lanternas de mão e de cabeça (pensando nas pequenas necessidades da noite e outros), pilhas extras (fundamental), canivete suíço (por todas as funcionalidades), caneca, talheres e um prato para as refeições pessoais (em casas especializadas há modelos de alumínio que se prendem um no outro ou na mochila por mosquetões) e porções de alimentos básicos como café, açúcar e sal.
  • * Leve seu papel higiênico (um rolo pelo menos), lenços umedecidos e álcool gel. Isso é fundamental.
  • * Para duas noites ou mais, o ideal é levar além das comidas desidratadas, salames, queijos e snacks, algum alimento mais consistente. Então, atente para modelos de liquinho e fogareiro, assim como panelas de alumínio que ocupem pouco espaço. Os modelos sanfonados são os mais recentes e bem “atraentes”. Se você for fã de coisas legais, essa seção das lojas de acampamento é um perigo.
  • * Caso vá contar com o apoio de carro para a bagagem e uma infra que ofereça energia elétrica aos campistas, leve sua própria extensão elétrica e pelo menos um adaptador de tomadas (aquele universal).

 

Acho que vocês já perceberam que pensando e falando sobre acampamentos, podemos ir muito longe. O assunto não se esgota e as dicas são muitas. Inclusive, eu queria falar sobre o entusiasmo e os benefícios para as crianças que acampam, mas já me estendi demais. Esse tópico ficará para um próximo post. Mas eu volto, prometo!

 

 

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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