A guerra contra a obesidade infantil é desleal

Você já pode ter assistido esse vídeo, integralmente ou parte dele, através de algum compartilhamento nas redes sociais ou até nos comerciais da televisão aberta ou TV paga. E talvez você tenha se levantado da sala ou trocado de canal, porque olhar o testemunho de outras pessoas acerca de um assunto doloroso como a obesidade infantil pode não ser problema seu. Nas redes sociais você pode até ter curtido e lembrado “daquele filho da fulana sua amiga” que anda um pouco gordinho, mas provavelmente a sua vida não mudou. E não é culpa sua. A empatia, que é a capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela, ou em outras palavras, é colocar-se no lugar do outro a ponto de sentir o que ele possa vir a estar passando, é um exercício difícil de praticar. Mas em casos como o da luta pela obesidade infantil, entre outros relacionados à saúde das crianças, essa prática da empatia é de suma importância. À medida que você entende o que a outra família está passando, você contribui para que o dia a dia deles seja mais fácil. Evitar oferecer alimentos calóricos ou pouco saudáveis aos seus filhos é o passo inicial, mas devemos estender esse “passo” aos filhos dos amigos, vizinhos, sobrinhos e por aí vai.

Caso você não tenha reconhecido esse vídeo, por favor, assista-o. Depois vamos falar um pouco mais sobre essa questão que hoje, não é mais um problema isolado, é um fenômeno cultural e mundial.

Depois de ver as carinhas das crianças e a reação dos pais, a gente sente o impacto, não é?!

A campanha publicitária “Obesidade Infantil Não” que idealizou e produziu o vídeo acima, traz em seu site a seguinte colocação:

Sabe por que as crianças se jogam no chão, abrem o berreiro, fazem chantagem e usam toda a criatividade do mundo para conseguir um doce, refrigerante ou outra besteira qualquer? Porque são crianças. Para combater a obesidade infantil quem tem que ir à luta são os pais. Os pais têm que resistir, os pais têm que dizer não. Afinal, eles já aprenderam o que é hipertensão e diabetes, por exemplo. O dever de ensinar e também o de negar está em suas mãos, mesmo que elas chorem.

Sob esta ótica, fica o convite para que toda a sociedade venha a contribuir com este movimento e passe a aplicar o “não” quando necessário, numa cultura de mudança alimentar global, que precisa ser iniciada com as crianças. Alguns dilemas comuns entre os pais, e que pela falta de conversa podem parecer casos isolados, são na verdade uma circunstância corriqueira nos dias de hoje, quando muitos alimentos industrializados estão à disposição das crianças e adolescentes, de modo fácil e atraente. Quando algumas famílias se reúnem numa festa infantil ou num encontro escolar, por exemplo, basta jogar o assunto “alimentação” na roda para que surjam histórias e conflitos semelhantes. Então, saiba que você não está sozinho se o seu filho não gosta de “verdinho” ou “daquela fruta em especial”. Promover a experimentação de novos sabores e texturas nem sempre é uma tarefa fácil e, posso dizer por experiência própria, que a familiaridade com os alimentos e sua aceitação tem a ver com o exemplo que os pais oferecem em casa e com a simpatia e naturalidade com que os alimentos são manejados e oferecidos. Custa caro, literalmente, insistir em diferentes receitas para que seu filho passe a aceitar determinado legume ou verdura, exige criatividade apresentar a ele as muitas sementes e oleaginosas e até a carne pode render a necessidade de dezenas de receitas diferentes até que seja bem vinda (especialmente peixes e frutos do mar), mas tudo pode ser conquistado!

Gabriela Kapim, nutricionista e apresentadora do programa de televisão “Socorro, meu filho come mal” aponta uma questão bem importante em seu livro de mesmo título, totalmente a ver com o que estou escrevendo aqui. Ela reforça que…

“É incrível a quantidade de crianças que simplesmente se recusam a experimentar novos alimentos. E por isso muitos pais adotam a velha técnica de esconder os alimentos que a criança não come em outro que ela gosta, como quando cozinham legumes no feijão. Apesar de garantir que a criança coma àqueles nutrientes, essa técnica pode trazer desvantagens, pois a criança se sentirá enganada quando (e se) descobrir que os alimentos foram oferecidos escondidos. Uma forma bacana de trazer o interesse da criança pela alimentação é mostrar. Tente envolvê-la em todo o processo: vá ao supermercado com ela, apresente alimentos diferentes, desperte a sua curiosidade e depois a leve para a cozinha”.

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Recentemente, a Comissão Para Erradicar a Obesidade Infantil, da OMS, divulgou que há pelo menos 41 milhões de crianças de até 5 anos obesas em todo o mundo. O número cresce especialmente nos países de baixa e média renda – como é o caso do Brasil. É fato que muitas crianças têm crescido em ambientes que encorajam o ganho de peso. Especialmente nas famílias de menor renda, elas estão expostas à ingestão de bebidas açucaradas e comidas industrializadas, pouco saudáveis e a um custo mais barato.

Segundo relatório apresentado pela instituição, os números são preocupantes e é preciso agir para conter o problema. Além de prejudicar a saúde da criança hoje, a obesidade infantil traz consequências físicas e psicológicas que demandarão cuidados extras. Ela impacta na qualidade de vida, afeta o desempenho escolar e possivelmente se estenderá para a vida adulta, o que implicará em investimentos e demandas na área da saúde (e aí devemos pensar na gestão pública que precisará atender esses pacientes adultos) e ainda potencializará um ciclo de falhas na educação alimentar de diversas famílias.

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Abaixo coloco três questões que podem ser úteis pra quem está diante destas reflexões, assim como nós do @maecomfilhos

Obesidade infantil é culpa dos pais?

Embora os pais não sejam os culpados pela obesidade dos filhos, a solução do problema depende principalmente deles. “A criança só deixará de ser obesa se a família tomar certas medidas o quanto antes”, afirma. O primeiro sinal de alerta são alterações na curva de crescimento: se o ganho de peso e altura for desproporcional, vale a pena fazer uma avaliação nutricional. “O que não significa que a criança terá de se submeter a uma dieta rígida. Em geral, basta mudar alguns comportamentos de risco de toda a família, como fazer as refeições em frente à TV”, diz a nutricionista. Além desse, ela destaca mais quatro atitudes essenciais para contornar a doença: reduzir a ingestão de bebidas açucaradas, como sucos industrializados e refrigerantes; aumentar o consumo de frutas e verduras; tomar café da manhã diariamente e diminuir as refeições fora de casa (já que as porções costumam ser maiores e os alimentos, mais gordurosos).

(Fonte: Karine Durães, especialista em pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo)

Como lidar com crianças que selecionam alimentos ou se recusam a comer?

Essa queixa dos pais é mais frequente a partir dos 2 anos. Os comedores seletivos ou picky eaters (na expressão em inglês) passam a excluir determinados alimentos, como, por exemplo, frutas, legumes e verduras; separam qualquer novidade no cantinho do prato, cospem e evitam refeições. A prevenção para esse comportamento é cuidado e paciência ao oferecer a alimentação complementar, a partir dos 6 meses de vida. A criança está acostumada com o leite materno. É normal que estranhe os primeiros alimentos oferecidos. É preciso apresentar um alimento novo de oito a dez vezes, pelo menos, e de formas diferentes e atraentes. O comportamento seletivo também pode ser decorrente da perspicácia infantil. Ao perceber que os pais dão muito valor ao que ela come (e ao que ela não come), a criança passa a usar a recusa como estratégia de barganha. Os pais precisam controlar a ansiedade em relação à alimentação. Converse com o pediatra para saber a melhor estratégia em cada caso.

(Fonte: Dr. Walter Taam Filho, membro do Comitê de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro).

Quando a criança deve iniciar a prática de esportes?

A partir dos 5 anos, quando as crianças começam a aprender as habilidades especificas de cada prática, elas se beneficiam dos esportes coletivos, da ginástica artística e das danças em geral. Se for para brincar, até as corridas de rua estão liberadas para maiores de 10 anos: A maturação física e psicológica deve ser o principal critério na escolha das atividades físicas ou um de esporte. Até 7 anos deve-se oferecer opções para a criança exercitar as habilidades básicas: correr, saltar, arremessar, segurar, chutar. Natação, corrida, salto, futebol, capoeira, surfe e danças são boas sugestões. De 7 a 10 anos ela pode fazer atividades com velocidade e combinação das habilidades anteriores. E a partir dos 11 deve-se escolher a modalidade levando em conta o tipo e a carga do exercício físico. Como regra geral, as atividades físicas recreativas são indicadas após os 7 anos de idade, e as competições, após os 13.

(Fonte: Dr. Ricardo Barros, especialista em medicina do esporte pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e diretor adjunto assistencial do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, UFRJ).
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Vamos olhar com carinho para a importância de se comer bem e divulgar as inúmeras opções de como fazê-lo, motivando os familiares, amigos e seus nichos sociais.

Para as famílias que se interessarem, a partir da campanha Obesidade Infantil Não, há uma cartilha informativa (já em sua terceira edição) e um site com sugestões e brincadeiras para trabalhar o assunto junto ao público-alvo e com o apoio da Disney, muitas atividades lúdicas podem ser experimentadas. Chama-se Guia Nhac!, da Disney – Novos Hábitos de Alimentação para Crianças.

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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