O olhar que sorri durante a amamentação

imageEra o ano de 2008 aquele em que eu me tornei mãe e vivi pela primeira vez uma das maiores alegrias desde a chegada de meu filho Caio, os olhares durante a amamentação.

À época, vivi quase todas as dúvidas comuns à gestação e a chegada do primeiro filho, curiosidades, inseguranças, tudo caminhava num vai e vem junto à descobertas, muita pesquisa e leitura. Minha irmã mais velha, Sam, já era mãe de dois naquela fase e assim como viria a acontecer comigo, ela tinha um fascínio pelo aleitamento materno. Anos antes, Enzo, seu filho mais velho, mamou por 20 meses e Giorgio, o segundinho, havia mamado por quase 12 meses, tendo deixado o peito espontaneamente. Lembro que nessa primeira fase materna, desde a gravidez até os primeiros dias em casa, eu ouvia muitos conselhos e inclusive observava muitos desabafos maternos referentes a “dificuldades” no aleitamento. A pega correta ou incorreta, a quantidade de leite, horários de mamadas, emperramento, rachaduras, dores, mastite… Tudo era aterrorizante para a maioria das mães e meu desejo era me manter solidária a elas, mas desejando nunca viver o mesmo. Porque, convenhamos, nunca desejamos viver stress ou dificuldades.

E embora o tema e as ferramentas estivessem ali, tais quais as muitas dicas e rituais seguidos por anônimas ou célebres mulheres cujos depoimentos iam surgindo, eu me resignava a massagear o peito, observando os seios crescerem mudando de formato e cor e claro, atritar os mamilos na tentativa (orientada) de fortalecer a pele. A boa e velha massagem com uma toalha. Nada de topless como fazia a apresentadora Angélica, na época esperando seu filho Benício, afinal eu não tinha um jardim nem tão pouco uma casa com muros altos, mas estava ali, empenhada no assunto.

Mas essa acabou sendo a menor preocupação, dentre diversos sustos e dilemas da primeira gestação, como um coágulo no útero desde a quinta semana até o terceiro mês de gravidez, placenta baixa, hemorragias a partir do quinto mês e um tombo surreal já fechando o oitavo mês de gravidez. Nem isso, nem a azia ou o peso extra (com a censura básica do obstetra) me desanimaram e eis que em janeiro de 2008, tudo aconteceu.

Caio nasceu bem, grande e forte e em nosso primeiro encontro fora da sala de parto, eu – toda inexperiente e ele todo inchado e cor de rosa – só pensamos no peito, no aleitamento. Coloquei-o para mamar seguindo mais instinto do que regras e ele achou o caminho de casa, numa pega espetacularmente perfeita, respirando bem, fazendo boca de peixe e movimentando as bochechas. Parecia um balé sincronizado, a movimentação acontecia tão espontânea e perfeita que parecia que havíamos combinado aqui. E, por certo, estávamos combinados, afinal vínhamos conversando por quase 9 meses em segredo, deitados juntos na cama, todas as noites.

O nosso encontro para mamar, entreolhando-nos e admirando, curtindo, sorrindo, sérios, sonolentos, como fosse… Isso durou por 24 meses e quando rompemos esse “combinado”, sofremos ambos, mas com paciência, com a ajuda do Papai e dos avós, nos readaptamos alguns dias depois.

O vínculo de afeto e as inúmeras histórias registradas até ali, desde os primeiros dias de muito refluxo – com direito a ultrassons e banhos de leite regurgitados na mamãe – até as mordiscadas porque mamãe queria olhar o celular ou assistir televisão enquanto o filho desejava atenção completa e não só doação de leite, tudo permeava o ambiente.

Hoje, após ter amamentado também meu segundo filho, Vicente, por 26 meses e ainda mais motivada, satisfeita e segura daquele gesto, da escolha pela amamentação prolongada e em livre demanda, eu tenho saudades das muitas vezes em que eles mamaram “peladinhos”, após o banho e as massagens de Shantala, entregues ao afeto. Eram momentos em que o “olhar sorria”, um brilho diferente tomava conta dos olhos do bebê e assim como eu, outras mães têm a certeza de que a cumplicidade e a doação de tempo, de carinho e de vida aquele serzinho foi sua melhor escolha.

O sorriso dos olhos é uma comprovação de que, fácil como foi a minha amamentação ou difícil, como é para outras mulheres, todo o esforço é válido porque é uma experiência sem preço e embora possamos vivenciar felicidades distintas na vida – a despeito da incapacidade dos homens amamentarem, mas realizarem também através da paternidade e da admiração pelas companheiras – poder fazê-lo é genuinamente uma benção.

De coração, desejo isso para todas as mulheres que querem ser mães. Aliás, isso me lembra de casos recentes que pude acompanhar pela imprensa, como quando Glória Maria, jornalista e apresentadora conhecida nossa, disse ter se preparado com medicação e orientação médica para amamentar suas duas filhas adotivas. Lindo, não?! Uma pessoa escolhe ser mãe, vive um processo de procura e descoberta desse filho e consegue nutri-lo, no peito!!! É muito especial.

Como Glória Maria, diversas mães com quem já tive contato, conseguiram aleitar após a adoção e em tantos outros casos, uma adoção motivada por suposta infertilidade também gerou “estabilidade emocional” para filhos biológicos posteriormente. São casos em que a “natureza” faz um papel interessante no amadurecimento das relações e da consciência. Todos casos muito bonitos.

Mas, voltando a focar na amamentação, gostaria de deixar meus cumprimentos a todas as mães, em diferentes lugares, condições e orientações culturais, que aleitam sem preconceito e sem medo. Precisamos de mães confiantes em si mesmas e em suas escolhas, desde a gestação ate sempre, mas passando firmes e empoderadas por essa fase tão maravilhosa em que o amor líquido faz nutrir, faz crescer vigorosamente cada um de nossos bebês.

Que as redes de apoio – tão fundamentais – para novas mães seja mais ampla que a família e as melhores amigas, podendo incluir a comunidade, grupos médico-hospitalares, outras mães amorosas e bem infirmadas, setores da comunidade (como as clínicas, creches e escolas) para que as mães sejam fortalecidas, valorizadas e mais felizes!

Um viva ao engajamento pela Semana Mundial de Amamentação Materna.

 

(Por @TiffanyStica mãe de Caio #aos8 e Vicente #aos3 na conexão Rio/Niteroi).

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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