#MeninasPodemJogar Conheça Laura, a menina que conseguiu jogar no time dos meninos

Todos queriam, menos a Secretaria de Esportes. Seu pai, um amigo e mais 10 mil pessoas fizeram ela merecer esta oportunidade

 

“A minha sensação foi de estar fazendo história! É muito orgulho ser o pai da primeira menina a conseguir disputar o campeonato sub-13 de futebol de São Paulo”, dispara o funcionário público Lauro Pigatin no telefone com a equipe da Change.org. A história de sua filha, e a narrativa que ele criou para realizar o sonho dela, são emocionantes. Desde a primeira negativa em São Carlos (SP), no ano passado, quando descobriu uma regra criada em 1934, às mais de 10 mil assinaturas num abaixo-assinado, a família Pigatin suou. A lição de amor deste pai agora abre caminhos para outras meninas do Brasil.

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Laura disputava o torneio promovido pela Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude de São Paulo como capitã da equipe de São Carlos. No começo, os times jogam nas suas próprias cidades e, com as vitórias, se classificam para as fases seguintes. Nas partidas em São Carlos, como todos conheciam o talento da jogadora, foi razoavelmente simples conseguir que ela participasse. O problema apareceu mesmo na etapa posterior. “Meu coração doeu muito quando vi os meninos entrando no ônibus para jogar o campeonato. Laura, que fazia parte daquele time, não estava entre eles”, lembra Lauro com a voz embargada.

Isto aconteceu no ano passado, quando sua filha foi impedida de disputar a etapa regional do torneio de futebol. A pessoa que representava a Secretaria de Esportes na regional dizia que tinha que cumprir o regulamento criado em 1934. Laura estava fora do campeonato por ser menina. Foi muita tristeza, segundo o pai: “Como eu explico isso para uma criança de 11 anos?”. Laura chegou a se revoltar: “Que droga ser menina neste país!” Naquele momento, o funcionário público decidiu que não ia desistir e inscreveu a filha novamente no campeonato deste ano. O time dela ganhou a primeira etapa mais uma vez e, na fase regional, recebeu um novo “não”. Laura não poderia disputar.

É aí que entra na história um amigo da família, o representante comercial Vinnie Rodrigues. Ele soube da história pelo Facebook de Lauro e decidiu fazer um abaixo-assinado na Change.org. “Começamos sem muita esperança, mas a repercussão foi crescendo muito rapidamente”, lembra. E cresceu mesmo: 10 mil pessoas apoiando, comentando e compartilhando a hashtag #MeninasPodemJogar. Ao ganhar as redes sociais, a petição para que Laura pudesse disputar o torneio logo virou reportagem. Foi notícia, por exemplo, no UOL, HuffPost Brasil e Rede TV! e BuzzFeed. Até o dia em que o maior convite surgiu: a família inteira foi convidada para viajar ao Rio de Janeiro para participar ao vivo do programa Encontro com Fátima Bernardes da TV Globo. “O programa ia ao ar na segunda e o representante da secretaria me ligou na sexta-feira anterior para dizer que a presença da Laura no campeonato estava liberada”, recorda. “Ah! Mas agora nós vamos falar na Globo mesmo assim”, respondeu o pai.

LAURA PARTICIPA DO PROGRAMA ENCONTRO COM FÁTIMA BERNARDES

Depois de tudo isso, Lauro chega ao Dia dos Pais com o melhor presente que poderia ganhar: a filha poder fazer o que quiser, ser o que sonhar. “Ela poderia ter sonhado em ser bailarina, mas optou pelo futebol. E isso é maravilhoso!” E o que a Laura acha disso tudo? “Estou feliz. Feliz pelo apoio que recebi. Mas estou feliz mesmo, feliz de verdade, por poder jogar. Só isso que importa para mim”, diz a menina que joga no time dos meninos.

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Aline Kelly

Administradora, mãe de três, facilitadora em processos de interação e gestão de conhecimento em projetos de formação cidadã, direitos básicos e empreendedorismo. Em seu blog escreve sobre participação social, práticas sustentáveis e outros pensamentos aleatórios.

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