Faço birra, ajoelho, deito… Crianças contam como fazem para ganhar oque querem

A gente já falou várias vezes sobre a birra e a psicóloga Nívia Gonçalves até respondeu dúvidas das mães num hangout. 

 

Mas desta vez foi o Ministério da Justiça que retomou o assunto, divulgando um estudo sobre publicidade infantil.

Foram entrevistadas 81 crianças de todo o País, que contaram como fazem para convencer os pais a comprarem os produtos.

Os relatos mais, digamos, impressionantes: 
Pra conseguir, eu fico pedindo, fico pedindo, fico pedindo, choro, fico pedindo, fico pedindo, fico pedindo. No Dia das Crianças, eu não ia ganhar, porque… Eu não lembro o porquê. Mas eu acho que foi porque eu recebi alguma coisa antes. Aí, eu não ia ganhar o meu presente de dia das crianças, aí eu chorei e falei: “Não, mãe, me dá, me dá. E, aí, no dia eu ganhei”. (menino, escola pública, Brasília)
[…] a gente desenvolve a mente deles pedindo, pedindo… (menina, escola pública, São Paulo)
Eu insisto eternamente, eternamente. Eu insisto, insisto, insisto até perceber, chegar num ponto que eu vejo que ou minha mãe não vai me dar… (menina, escola particular, Brasília)
Eu choro. (gênero não identificado, escola pública, Rio Branco)
Faço birra. (menina, escola pública, Brasília)
Eu ajoelho, deito… (menino, escola particular, São Paulo)
“Mãe, compra chocolate”, aí ela: “Não”. Aí ela, de pirraça, fala: “Não vou comprar”. Aí eu também falo: “Então, não vou levar a sacola”. Aí ela vai e compra. (menina, escola pública, Brasília)
Eu digo pra minha mãe comprar porque senão eu vou embora. Aí ela pega e compra. (menino, escola particular, Fortaleza)
E o que fazem se os pais não atendem aos pedidos:
Dá vontade de quebrar o meu cofre. […] Pra mim comprar. (menina, escola pública, Fortaleza)
Às vezes dá vontade de ficar um mês sem falar com a minha mãe. (menina, escola pública, Fortaleza)
Às vezes eu tenho até vontade de ir embora e nunca mais voltar para a casa. (menino, escola pública, Fortaleza)
Eu… Eu fico com uma ira. (menino, escola particular, Fortaleza)
Às vezes dá vontade de esganar os pais. (menino, escola particular, São Paulo)
Ou uma história que chamou a atenção dos pesquisadores:
Menino: Eu peguei o cartão de crédito dele e saí… (escola particular, São Paulo).
Moderador (a): Você queria comprar o quê?
Menino: Um jogo aí.
Moderador (a): E ele tinha falado que não ia comprar pra você?
Menino: É.
Moderador (a): Qual jogo?
Menino: Call of Duty.
Moderador (a): E você pegou escondido o cartão de crédito dele…
Menino: E saí de casa (risos).
Moderador (a): E foi ao shopping comprar?
Menino: É, mas na metade do caminho ele foi me pegar.
Moderador (a): Ele descobriu?
Menino: É.
Moderador (a): E aí, o que ele falou pra você?
Menino: Ele me trouxe pra minha casa, fechou a porta e fiquei do lado de fora.
Moderador (a): Um tempo de castigo?
Menino: É, umas cinco horas.
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E como lidar?
Diretora da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Catherine Carchedi sugere:
“Primeiro, a criança tem que entender que não é fácil ganhar dinheiro. Então, também não é fácil gastar dinheiro.
Os pais precisam fazer as crianças ter noção do que representa o dinheiro. O dinheiro representa suor, trabalho, preocupação, insônia. Não é um papelzinho, uma senha fácil.
O dinheiro representa de fazer a unha a uma viagem, um carro. É necessário para comer morar.
A criança – e os pais – tem que saber que é preciso ser inteligente para lidar com o dinheiro. A vida é cíclica, com altos e baixos. Há épocas de bonança e de aperto.
Essas criancinhas precisam entender isso para serem um consumidor responsável.”
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