Educação infantil é hoje um amplificador de desigualdade


#abreaspas para Todos Pela Educação:


A importância da Primeira Infância, fase que vai da gestação até os 6 anos de idade, para o desenvolvimento da criança já foi comprovado por pesquisas de diversas áreas, incluindo a Educação. Com o objetivo de promover um debate sobre a qualidade escolar desse período fundamental, o Todos Pela Educação e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV) organizaram o encontro Educação em Pauta, reunindo especialistas e jornalistas para tratarem do tema.
O evento ocorreu na sede do Todos Pela Educação, em São Paulo, e contou com a participação do economista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, Daniel Santos, e da coordenadora geral de Educação Infantil da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (SEB/MEC), Rita Coelho. Participaram ainda o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), e a gerente de Educação Infantil da FMCSV, Beatriz Ferraz.

Na abertura do encontro, a superintendente do TPE, Alejandra Meraz Velasco, e o diretor presidente da FMCSV, Eduardo Queiroz, apresentaram os documentos “Políticas públicas de desenvolvimento infantil na América Latina – levantamento de e análises de experiências” e “ Agenda de ações para a região da América Latina”. Ambos os textos foram confeccionados no segundo semestre do ano passado, durante o Workshop “Construindo uma agenda regional para o Desenvolvimento Infantil”, evento realizado pelo TPE em parceria com a FMCSV e o Inter American Dialogue em 2015, que reuniu 30 representantes de 11 países, entre gestores públicos, especialistas e membros do terceiro setor.

“É preciso discutir a qualidade da Educação Infantil no Brasil, uma vez que temos evidências de que ela é baixa. Precisamos de mais dados – os que existem tratam basicamente da infraestrutura dessas unidades”, pontuou Queiroz.

Já Alejandra, ao apresentar os documentos, lembrou que as desigualdades de renda, localidade e raça/cor começam cedo e que desde os 3 anos já é possível observar diferenças na aquisição da linguagem pela crianças. “È por isso que é fundamental que melhore a qualidade das interações entre os pais e os filhos pequenos e também entre os professores e as crianças”, disse.

Ao apresentar os resultados de cinco estudos, Daniel Santos afirmou que a maior parte deles mede os insumos (infraestrutura, formação docente, etc) e os resultados da Educação Infantil, deixando de lado os processos. “Medir os dois primeiros é mais barato em termos de pesquisa, mas isso prejudica o debate da qualidade dessa etapa da Educação Básica”, afirmou.

Segundo ele, é necessário também que a percepção dos pais e familiares, enquanto atores sociais do processo educacional, sobre o que é uma Creche e uma Pré-escola de qualidade mude. “Há uma grande diferença entre o que a ciência considera uma boa Educação e o que as famílias pensam”, explicou. 

Rita Coelho, do MEC, apresentou o trabalho do governo federal na Base Nacional Comum para a Educação Infantil e afirmou que o documento é uma oportunidade de enfrentar a desigualdade no acesso a bens culturais existente no Brasil. “Não podemos reduzir o direito à Educação Infantil apenas ao direito a uma vaga no sistema público de ensino”, ressaltou. “As escolas dessa etapa devem ser contextos de promoção da equidade e a BNC traz o que a criança deve vivenciar e experimentar nessa fase do seu desenvolvimento.” 

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