Os vídeos do Minecraft tiram o seu sono de mãe?

As mães de crianças entre 7 e 12 anos estão vivendo uma fase comum, especialmente se são mães de garotos, sem discriminação de gênero, apenas acho que entre os fãs de Minecraft há mais meninos… Independente, meninas ou meninos que curtem o jogo eletrônico que traz agora variantes para o mercado (com livros, revistas, pelúcias, mini figuras colecionáveis, jogos de carta e uma linha inteira na marca de blocos de encaixar mais amada do mundo, a Lego) estão com os olhos na tela dos jogos e também dos filmes.
 
As produções independentes que começaram a fazer sucesso em canais de youtube (onde jogadores craques no assunto tornaram seus perfis pessoais uma fonte para ganhar curtidas, fãs e dinheiro através de patrocinadores) a partir de sua criação em 2009, ganharam força e alavancaram o mercado de jogos, angariando uma geração de fãs – Nativos Digitais – que podiam não saber como construir com seus blocos tudo o que desejavam, mas sabiam bem as ações, expectativas e enredo dos personagens das suas séries de youtube favoritas.    
Meu filho é de 2008 e assim como ele, muitos dos amigos e primos estão na faixa etária que elenquei acima. Estão ávidos por mais tecnologia, dispostos a conhecer jogos novos diariamente e assim como deveria ser com toda a informação que lhes é trazida no dia a dia, especialmente na escola, prontos para tornarem-se o “craque da vez”. Alias, perdoem-me a brincadeira, mas o “craque da escola na minha época” era apenas o bom de bola, os melhores nas atividades físicas, no lance corporal e essa dicotomia de hoje, onde nichos diferentes se mostram tão fortes e possíveis com o “popular” nerd/geek e o craque de bola, o youtuber teen e os intelectuais… isso me fascina!    
Mas, voltando ao que me levou a escrever esse post… #aos8 conheceu há pouco mais de 1 ano, um canal do Youtube chamado Authentic Games e passou a assistir, na companhia dos amigos (quando reunidos após as aulas) o seriado Perdidos, nada mais do que uma produção caseira de cenários e personagens do Minecraft, incluindo o próprio usuário Authentics (apelido on line) e seus amigos, outros youtubers que ganharam tanta ou mais notoriedade do que ele. As falas, os variados sotaques e o enredo faziam saltar os meus olhos e pronunciavam castigos logo que ouvi e vi os primeiros episódios, admito. Depois, conversando com outras mães e vendo a empolgação dos coleguinhas, passei a deixar que os episódios fossem assistidos, mas sempre com supervisão. Crimes premeditados e conspirações são temas que não acho pertinentes na infância, então, logo voltamos ao impasse sobre autorizar ou não as “aventuras do Perdidos” nesta casa.
Lembro de um dia em que fomos assistir um jogo no Maracanã e a policial responsável pela revista, olhou para meu filho e disse: “você não vou revistar, porque é criança e porque tem cara de quem é fã do Minecraft”. Ele foi ao céu e voltou… Seria àquela policial uma vidente também??? Depois ela o esclareceu dizendo que seu filho de 7 anos era fã do seriado Perdidos e esse passou a ser o argumento do guri aqui em casa: “se até o filho da policial pode…” 
Ele podia. Mas por aqui os vídeos foram suspensos logo que os pesadelos começaram. Tanto #aos8 quanto alguns de seus colegas começaram a ter pesadelos com maior frequencia e eu logo imaginei que fosse culpa da “fase medrosa” comum às crianças, entre 6 e 9 anos de idade. 

“A partir dos 6 anos, medos vinculados à realidade, como o do escuro, barulhos na casa, o de ladrões e o de acidentes em geral, são os mais comuns. A família deve transmitir a malícia necessária para que a criança encare os desafios com mas segurança. Nessa hora vale demonstrar como agir diante do assédio de estranhos ou como se portar em lugares públicos, como na piscina do clube”. (Dados do portal Bebe.com.br)

Voltando aos pesadelos, eles falavam de monstros, zumbis, muito sangue e mortes. Enrascadas e planos mirabolantes surgiam em conversas à toa com o irmão caçula e discursos cheios de “marra e gírias” eram repetidos quando das brincadeiras com os colegas da escola. Então, novamente elas – as mães dos amigos – surgiram como um referencial e no bate-papo acabamos percebendo que todas estávamos sendo acordadas de madrugada, com alguma frequência, pelo sono turbulento das crianças. Uma das mães foi taxativa e decretou o fim dos vídeos do canal na casa deles. As outras estavam avaliando e eu, devagar, fui cortando esses vídeos e outros que, na realidade, pela pressão e marketing da mídia a gente acaba deixando que os filhos assistam, mas que não são apropriados para sua idade. Com alguma resistência, mas muita conversa, limitamos o uso do site todo, já que vira e mexe eu me coloco diante da dúvida/reflexão sobre os desafios, benefícios e praticidade do Youtube e seus muitos canais. Mas aí já é papo para outra hora, porque adoramos a ideia de canais que promovam a criatividade e o entretenimento, mas nunca podemos descartar os riscos de conteúdos mal intencionados.
Enfim. Passaram-se alguns meses e os pesadelos diminuíram aqui em casa, mas também acabou o ano letivo, vieram as férias, novos assuntos e interesses surgiram e claro, o amadurecimento pertinente ao desenvolvimento diário das crianças também segue acontecendo. Faço a reflexão porque uma conhecida nos encontrou numa festinha, nessa semana, e tocou no assunto, reforçando quantas noites ficou sem dormir por causa dos pesadelos do filho e quando ela os descrevia parece que os nossos meninos sonhavam com o mesmo cenário… rs rs
O legal da maternidade é isso, poder trocar experiências e constatar coincidências 🙂 

Sobre o medo na infância, vale ressaltar alguns cuidados:

  • Dê atenção, questione e estimule a criança a enfrentar o medo irreal (ou inimigo): ela encontrará sozinha uma solução para suas fantasias. Exemplo: a sombra na parede pode se transformar em uma aliada no confronto dos medos (em vez de causá-los).
  • Não gaste tempo demais falando sobre o assunto para evitar que a criança fique ainda mais ansiosa. Mude de tópico, distraia-o.
  • Fale a verdade sobre os medos reais (ou amigos) para que a criança construa noções de perigo. Exemplo: ela tem de saber que escadas, piscinas e animais presos representam riscos. Mas faça isso sem aterrorizá-la.
  • Brinque com seu filho e entre na fantasia dele (a do bicho-papão, por exemplo): experiências lúdicas ajudam os pequenos a lidar com seus anseios.
  • Bonecos e brinquedos treinam a criança para a vida. Os pequenos costumam representar em brincadeiras o sentimento de medo frente a uma situação real, como a ida a um hospital.
  • Avalie a intensidade do medo e fique atenta para o limite da normalidade, que é a rotina saudável de vida.

(Fonte: Bebe.com.br

E sobre o Minecraft, o jogo que continua sendo o “atual”?!


O Minecraft é um jogo eletrônico, tipo sandbox (menos linear, com mais possibilidades do que desafios pré-estabelecidos), que permite a construção de cenários usando blocos (cubos) dos quais o mundo é feito. Criado por Markus “Notch” Persson, em 2009 e lançado em 2011, foi vencedor do prêmio VGA 2011 de jogos independentes.

O jogo basicamente feito de blocos, com paisagens variadas, tem a maioria de seus objetos compostos por eles – blocos – permitindo que estes sejam removidos e recolocados em outros lugares para criar construções, empilhando-os e dando vazão à criatividade do jogador. Opções para criar personagens que se assemelham à forma humana, bichos e perigos, além da mecânica de mineração e coleta de recursos para manter a construção, garantem uma boa mistura experiências, exploração e sobrevivência.  
Como mãe, acho que a perspectiva do jogo (em modo criativo) é excelente e não à toa tem estimulado seu uso em atividades escolares ao redor do mundo, como na China, Austrália e Suécia. O jeitão de Lego virtual, oferece noções de cálculo, geometria, propõe noções de três dimensões, usando materiais da natureza e construindo o que a imaginação permitir. Show! 

(Por @TiffanyStica RP e mãe de dois meninos, @guri_feliz #aos8 e @guri_valente #aos3 )
Fontes de pesquisa: Bebe.com.br | Wikipedia | Folha de S. Paulo | Avidaquer | YouTube 
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