Sobre a serenidade do segundo filho. Ou será que ele é “peso 2”?

35 semanas de gestação*
Estou chegando no final da minha segunda gestação. Fui à manicure e ela me perguntou se eu estava ansiosa e para a surpresa dela (e a minha também), eu não estou. Há poucos dias eu recebi a visita de uma grande amiga de longos anos e ela comentou que eu parecia mesmo muito tranquila (e ela me conhece bem e de outros “carnavais” rs).
Fiquei pensando a respeito e, de fato, o segundo filho vem sem o peso do ‘preciso disso e daquilo’, “tem que” isso e aquilo. A lista de enxoval é menor, e a mala com certeza será mais leve.
Por outro lado, não pude deixar de lembrar de alguns momentos tensos do início da gestação que me faziam pensar que segundo filho também tinha peso 2. 
Peso 2 é um termo usado para classificar numa prova questões que valem mais, por isso são também mais tensas. 
Fiquei aflita no primeiro ultrassom, uma mistura de esperança e medo de ser só um distúrbio qualquer e não uma gestação. E fiquei aflita no segundo ultrassom, aguardando ansiosa pelas medições todas, pra saber se tudo seguia bem com o desenvolvimento dele. Preocupações estas que nem de longe me passaram pela cabeça na primeira gestação. Eu apenas tinha certeza de que estava grávida e de que meu bebê estava bem e saudável. Só sentia, mais nada.  Desta vez o mal estar foi bem maior e durou muito mais tempo. E o cansaço chegou bem antes também, tornando o momento mais intenso de uma maneira não muito positiva. 
Para mim o segundo filho aconteceu num momento de maior maturidade. Estou perto dos quarenta anos e junto com a idade veio, de um lado, uma maior consciência do que acontece de fato no mundo e na vida, os riscos reais e a morte do “pensamento mágico”. E de outro lado a serenidade de saber que o mundo não acaba porque os planos deram errado, que a vida nada mais é do que um dia após o outro e o peso do dia já é suficiente. E como os planos deram errado durante essa gestação! Muito naquela situação que diz: “quando você acredita ter encontrado todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”. Ok. Eu aprendi a confiar e a esperar, então creio que tem mais de serenidade mesmo.
Tenho algumas curiosidades pra contar. Comecei a tentar engravidar há pouco mais de um ano. Ao contrário da primeira gestação, essa demorou mais a acontecer. Como menstruei muito cedo, cheguei a achar que não tinha mais óvulos. E em meio a um turbilhão de novidades e novos projetos, cheguei mesmo a me convencer de que Deus só me reservara parir ideias e projetos daqui pra frente, que são bons filhos também. Aí me descubro grávida! Susto número um, alegria sem tamanho.
Luiza, minha boneca, sempre pediu uma irmã, a Dora. Começou a falar dela antes de fazer três anos. E eu assimilei tanto a ideia de ser mãe da Dora, que me tirou do prumo quando o médico disse que poderia ser um menino. Susto número dois!
E aí, eu, uma mãe já mais serena e segura, comecei a pirar pensando que não saberia ser mãe de menino. Meu universo é muito feminino. Tenho duas irmãs, um milhão de amigas, estudei Psicologia que é um curso predominantemente frequentado por mulheres e sempre integrei equipes que vão no mesmo ritmo. Coisas bobas como “eu não gosto de Ben 10” (não conheço na verdade), ou “não sei brincar de carrinho” rsrs. Ok, filho precisa de amor, só isso!
Aí me deu um medo terrível de pensar se eu saberia criar um “cara bacana”, um homem honrado, que respeita a diversidade, que acredita nela, que será antes de tudo um bom ser humano, isso pensando na sociedade machista e sexista em que vivemos. Aí me lembrei do meu pai e do meu irmão. Meus dois primeiros amores são homens muito honrados e tem em comum a generosidade e o cuidado como seus pontos fortes. E o meu marido, que é “o cara”. Companheiro presente, pai fabuloso capaz de conviver com princesas como se fosse uma delas, muitas vezes (risos). Capaz de deixar de lado algumas convicções para se abrir ao novo, capaz de mergulhar nesse universo de pai de menina de maneira brilhante e impecável, ocupado em apresentar à nossa filha um mundo baseado em valores concretos e reais. Ocupado em me apoiar e me admirar, seja em que situação for. Ocupado em lutar pela família. É, acho que tenho bons exemplos pra me ajudar nesta tarefa, somados à experiência de ser mãe da Luiza por seis anos.
Creio que cada momento de dúvida foi causado por mudanças hormonais, só pode ser (muitos risos). Passou!
Estamos em reta final. Mais alguns dias e serei oficialmente #mãede2. Estamos nos preparando para um parto natural, por isso não sabemos o dia. Só sabemos que, seja qual for, quando for, estamos, eu e a família, prontos para o novo desafio. E meu coração segue sereno, tranquilo. Seja como for, acho que já percorri parte deste caminho antes!
* Foto feita pelo amigo e fotógrafo Luiz Paulo Grossi, com 35 semanas de gestação, curtindo o barrigão do Guilherme!

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Posted by Mães (e pais) com filhos on Quinta, 7 de maio de 2015

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