Conversas com quem gosta (ou sonha com) de amamentar!*

Imagine passar uma manhã reunida
com amigas, contando suas histórias, compartilhando alegrias e dificuldades,
enquanto as crianças brincam no quintal? Gostoso né! 

Grupo reunido, faltou parte da criançada que estava lá no quintal**
Pois foi neste clima que a
Libbs reuniu aqui em São Paulo, um grupo de mães blogueiras, para uma roda de
conversa sobre amamentação, com a #maede2, Luciana Herrero, Pediatra e
Consultora Internacional de Amamentação pelo IBLCE/EUA (International
Board of Lactation Consultant Examiners), em que o tema foi “Amamentação:
a hora de aprender é na gestação”. O evento aconteceu na Casa do Brincar, no melhor estilo #maecomfilhos, e
fomos recepcionadas e orientadas pela querida Regina Jorge, que cuidou de nós
com muito carinho. 
Na roda de conversa.
Pés
descalços, almofadas no chão, a conversa começou com o grupo reunido em
círculo. Para dar início ao bate papo, a Dra Luciana pediu que cada uma se
apresentasse e dissesse qual a sua motivação para estar ali e a sua angústia
com relação ao tema. Assim, cada uma pôde falar de sua trajetória e, no mesmo
lugar, tínhamos representantes do grupo que foi feliz na amamentação desde o
primeiro dia, do grupo que teve muita dificuldade, mas conseguiu amamentar e do
grupo que não conseguiu seguir com a amamentação por muito tempo ou não
conseguiu. 
Num
clima muito acolhedor e de muito colo, Dra Luciana seguiu com as informações de
como se preparar para a amamentação ainda na gestação. Tido como algo natural,
existe um mito de que a amamentação é algo simples e que basta seguir o
instinto materno para se ter sucesso. No entanto a prática demonstra de que não
é bem assim. Muitos tropeços e dificuldades acontecem no início, principalmente
na chegada do primeiro filho e, como afirmou nossa especialista, o sucesso está
muito mais relacionado com a habilidade das famílias em lidar com essa fase do
que com a fisiologia e o instinto materno simplesmente. Ela trouxe dados de
pesquisas que afirmam que, apesar da grande maioria das mulheres desejarem
oferecer o seu leite ao filho, poucas conseguem fazê-lo de maneira exclusiva e
muitas acabam desmamando muito antes do que desejavam. E por que isto acontece?
Embora
todas as mães passem por questões parecidas, nem sempre se compartilha todas as
informações e pouco se fala de toda a dificuldade, como as fissuras que podem
surgir, a dor nas mamas dos primeiros dias, o empedramento do leite, além da
solidão, do sentimento de insegurança muito comum quando se chega em casa com
um recém nascido nos braços. Muitas interferências externas vêm em forma de
julgamento ou de palpites que não ajudam em nada nesta fase, quando na verdade,
tudo o que uma mãe precisa nesse início é de acolhimento, carinho e apoio para
lidar com os seus sentimentos e vencer os desafios dos primeiros dias e os da
amamentação. Ou seja, informações seguras e amor são os ingredientes essenciais
nesta jornada.
Dra
Luciana também falou de como acontece o processo de produção e ejeção do leite.
Ao estimular a mama há a produção do hormônio prolactina, mas para que ele saia
da mama é necessário também a produção do hormônio ocitocina, o chamado hormônio
do amor, o mesmo que é produzido no processo de trabalho de parto. Sem ela, o
leite pode ser produzido, mas a ejeção pode ficar comprometida. Situações de
stress podem interferir na produção da ocitocina, por isso o apoio e o
acolhimento são tão importantes. Também foi falado que nos casos em que a
cesariana foi a via de parto, como o meu, esse processo não acontece da mesma
forma, pois falta a estimulação que se inicia no trabalho de parto, fazendo a
amamentação ser um pouco mais demorada, mas possível (abro um parêntese aqui
para contar que comigo foi exatamente assim, muito difícil no início, com a
necessidade de complementação, mas seguindo para amamentação exclusiva depois, um
processo nada fácil e que deu certo por muita insistência). 

Eu, de ocitocina, Adriana, de “mama” e o Pedrinho de ducto. Faltou enquadrar o bebê mamando rs.
Dra
Luciana também ensinou como fazer a ordenha correta e explicou que essa prática
ajuda e muito a criança a pegar o peito, uma vez que a mama precisa estar
flexível para que a criança possa abocanhá-la. Também falou da pega correta,
tão importante para evitar fissuras. E para preparar a mama ainda na gestação
apenas tomar sol basta. Outras práticas como a ordenha precoce ou esfregação só
estimularão antes da hora e ainda podem tornar a pele mais sensível, tendo o
efeito contrário, facilitando ferimentos. Esclareceu que durante a gestação o
próprio organismo da mulher já vai preparando a mama pra este processo. O
uso de cremes também não é recomendado e a famosa pomada de lanolina só é necessária
quando já há fissura. Se a pele está integra, o próprio leite materno faz as
vezes de hidratante.

Dra Luciana ensinando a maneira correta de fazer a ordenha**
Houve
também o momento de esclarecer algumas dúvidas e desfazer alguns mitos. 
Sobre a
contracepção durante a amamentação, Dra Luciana afirmou que não há garantias de
que só ela vá impedir uma nova ovulação e uma nova gestação,  que isso é possível sim se a amamentação ocorre
de maneira exclusiva e com mamadas em intervalos mais curtos, a cada duas
horas, por exemplo. Esclareceu que mesmo que a mulher não menstrue, não significa
que ela não ovule, assim, fazer uso de outros métodos anticoncepcionais faz-se
necessário se o casal não deseja ter outro filho naquele momento. Além dos
métodos de barreira, como o uso de preservativos e DIU, existem pílulas
específicas para este período, só de progestogênio, as chamadas minipílulas, que
não interferem na produção de leite e na amamentação. Vale lembrar que uma mãe
que amamenta não pode fazer uso de pílulas comuns, que usam hormônios
combinados. O ideal é que cada mulher converse com o seu ginecologista a
respeito escolhendo o melhor método a ser utilizado neste período.
Mitos
como o da mama pequena ou do leite fraco também foram desfeitos. O que garante
o sucesso da amamentação, como já foi falado lá em cima, é o desejo de
amamentar associado à condições necessárias para que ela aconteça, como o
acolhimento, suporte emocional e informações corretas e completas. Boa
alimentação, ingestão de muito líquido e apoio para que a mulher possa
descansar são essenciais neste processo. A exaustão e o stress também
influenciam negativamente. 
Uma
coisa comum nos depoimentos de todas as mães presentes foi o fato de sempre
encontrar alguém pelo caminho que “apontou o dedo”, julgou, fez
perguntas inconvenientes, trouxe soluções mágicas, mas irreais para a realidade
vivida por cada uma, contou histórias trágicas. Engraçado como as histórias se
repetem e muitas das mães ali presentes se tornaram blogueiras de maternidade
pelo desejo de compartilhar os sabores e as dores de se tornar mãe e ajudar
outras mães a lidar melhor com o novo desafio que é a chegada de um
filho. A própria Dra Luciana compartilhou sua história de muita
dificuldade na amamentação da primeira filha, o que a fez buscar informações,
mudando essa realidade na chegada da sua segunda filha. Ou seja, cada uma de
nós ali presentes passamos por coisas muito parecidas na busca por sermos a
melhor mãe para nossos filhos.
Foi uma
manhã fantástica!
E no
fim voltamos pra casa com presentes muito fofos. A Libbs nos presenteou com uma
agenda da mamãe (eu, que estou grávida, amei!), e um kit de Salsep para ajudar
a criançada a ficar livre de gripes e resfriados.

Sacola desenha pela Luiza durante a brincadeira

Nós
amamos, sim ou com certeza?

Muito
obrigada queridas todas, por este momento tão gostoso! Com certeza deste bate
papo saio mais confiante para o novo desafio: amamentar meu menininho que já
está quase chegando!

*O título é uma brincadeira com o título de uma obra de Rubem Alves “Conversas com Quem Gosta de Ensinar”

* Parte das fotos foram cedidas pela Regina, feitas pela organização do evento. Fica aqui meu agradecimento!

Faça parte da nossa turma também!

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