A criança que um dia eu fui.

Eu, com 6 anos, e meu irmão, com 16.
Ontem passei um tempinho numa sala de espera. Na TV passava o filme “Duas Vidas”*, com o Bruce Willis, na Sessão da Tarde. Já assisti este filme alguns anos atrás, mas confesso que não lembro direito dele, preciso rever. Mas, enquanto esperava, meu pensamento foi longe. De repente fiquei imaginando como seria me encontrar com a criança que fui um dia. Tentei me lembrar como ela era e o que eu diria se nos encontrássemos. Lembrei dos meus sonhos, queria ser uma bailarina famosa, queria dançar com o Michael Jackson, sim, fui apaixonada por ele, nunca contei isso a ninguém. Também me imaginava nos palcos, cantando. E minha casa seria uma linda mansão de novela, com piscina e um jardim muito grande e muito verde. 
Nos meus sonhos encantados, eu me via flutuando por cima das casas, em saltos que desafiavam a gravidade. E de cima eu podia observar as pessoas e suas vidas. Eu teria todos os brinquedos que desejava e comeria todos os doces, eu os teria à minha disposição o tempo todo. Na minha mansão tinha espaço pra minha família também, mas eu determinaria quais seriam as regras. E na minha vida encantada também faria muitas viagens. Eu viajaria para muitos lugares para dançar ou cantar. Eu também tocaria piano e passaria minha velhice numa casa de praia, olhando o mar pela janela, enquanto me dedicava a escrever meus livros. Era assim que eu imaginava minha vida aos 6, 7 ou 8 anos, não me lembro ao certo.
Uma peculiaridade desses sonhos: minha mansão era vizinha da casa em que eu cresci. E seria pra lá que eu voltaria depois de cada aventura. Ah, nos meus sonhos também existia o encontro com o príncipe encantado, o casamento perfeito e filhos, três: duas meninas e um menino, sendo que o menino seria o mais velho, como o meu irmão é o filho mais velho da minha mãe. 
O tempo passou, eu cresci e, dentro do que a minha vida permitiu, fui tentar aprender a  cantar e a dançar, e tocar um instrumento também, o violão, porque foi o que deu pra comprar. E aos poucos fui descobrindo que nenhum destes talentos foram dados a mim. E aos poucos fui reconhecendo outros talentos, como a fadinha Tinker Bell, que demora a se reconhecer como fada artesã, enquanto tenta desesperadamente aprender outro talento. 
Na verdade tudo isso começou com uma conversa mais cedo com minha melhor amiga, a Lu Arruda**, mamãe da Salomé, Psicóloga também, como eu, Bailarina e Coreógrafa. E seguiu nos meus devaneios vespertinos de sala de espera. 
Acredito que a maternidade tem o poder de nos levar de volta ao passado, como se a vida nos desse uma nova chance, embora aqui more certo perigo, porque filho não vem pra realizar nossos sonhos, mas sonhar os próprios sonhos. Eu tive a sorte de ter uma filha que ama dançar e cantar e deseja muito aprender um instrumento, a bateria. E se dedica a cada coisa com amor e devoção. Eu a deixo livre, me policio muito para não projetar nela desejos que foram ou são meus, mas sem esforço algum vejo alguns dos meus sonhos malucos se realizarem diante dos meus olhos. E assim, como expectadora e facilitadora deste processo, vou resgatando pedacinhos de mim que ficaram pelo caminho. 
Isso me faz lembrar da habilidade de flutuar e observar tudo de cima, que eu sonhava ter um dia… E me lanço num novo desafio, ser mãe novamente. Uma segunda nova chance de começar tudo de novo (risos). 
Se eu me encontrasse com a criança que fui, eu diria a ela que nada do que ela sonhava aconteceria de fato daquele jeitinho, mas de uma forma muito especial ela teria a chance de viver todos eles, mesmo que só vibrando da platéia. E que, em contrapartida, Deus reservou a ela outros talentos e até alguns ‘superpoderes’. E, de um jeito único e muito especial, ela será muito, muito feliz quando tiver a minha idade. 
Creio que olhar o passado nos faz entender melhor o presente e nos dá perspectivas melhores de futuro. Por isso faço um convite a todos os leitores e leitoras deste Blog: e você, se tivesse a chance de se encontrar consigo mesmo anos atrás, o que diria para a criança que você foi um dia? E se quiser compartilhar, vem aqui contar pra nós como seria este encontro!
* Colo aqui o link com trailer do filme. Não posso opinar muito a respeito, preciso revê-lo antes disso. 
**A Lu Arruda está presente neste texto porque nossa história na dança do ventre começou no mesmo dia, mas seguiu caminhos totalmente diferentes. E vê-la dançar é um jeito que tenho de dançar também. Sou fã e morro de orgulho desta amiga. Se quiser saber mais sobre a bailarina é só acessar:
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