Sempre chega uma nova fase – volta às aulas rumo ao Ensino Fundamental

Estou vivendo o luto pela educação infantil. Luiza, minha bonequinha sapeca,  inicia sua jornada pelo Ensino Fundamental nesta segunda feira. “Escola de verdade”, com horários mais rígidos, maiores responsabilidades, provas, notas, o fantasma da reprovação e tudo o que envolve essa longa jornada de se preparar para o mundo adulto (porque ir pra escola é isso, não é?).
Minha menininha cresceu! Rápido demais pro meu gosto. Dia desses, vendo ela toda interessada pelo mundo das letras, dou-me conta de que, na sua idade (ela tem quase 6), eu ainda nem tinha ido para a escola, e ela já lê tudo. Já senta e se dedica a alguns de seus livros sem pedir nossa ajuda e isso é fabuloso! Mas ao mesmo tempo me assusta. Primeiro porque não tenho mais o meu bebê e porque tenho a impressão de que as crianças hoje em dia tem cada vez menos tempo de ser “crianças”. Desde muito pequenas já seguem uma rotina de horários e cumprimento de agendas, parecem que “trabalham” também. Não existe mais aquela infância despojada, de brincar na rua, de voltar pra casa só quando a mãe gritava da janela ou quando a fome batia. Aquela infância de só brincar e explorar o mundo no seu tempo, à sua maneira.
No final do ano já fomos chamados para uma reunião na escola (seguimos na mesma escola em que ela cursou a educação infantil), que teve por objetivo nos informar das mudanças que ocorrerão no primeiro ano. E eu fiquei com a sensação de que minha filha estava sendo enviada direto pro ensino médio (exagero de mãe?). Uma rotina pesada com várias aulas e conteúdos, o registro de frequência que pode gerar reprovação, anúncio de que teremos muitas tarefas de casa, como já vinha sendo feito no Jardim II para que se adaptassem ao que está por vir. E eu só pensando “a que horas essas crianças vão brincar?”
Claro que o mundo evoluiu, que nossas crianças são mais espertas e já nascem conectadas, que a capacidade de aprendizado é imensa e que muitas vezes isso acontece da forma mais natural possível. Ainda assim, fico preocupada se não anda tudo acontecendo rápido demais. Sei que ela se sairá bem, vem sendo muito bem preparada para este momento, sempre foi estimulada, tanto na escola quanto em casa. Assim fico aqui pensando como posso agir para minimizar todo esse impacto e fazer sobrar tempo livre para o brincar desestruturado, para o exercício da criatividade e da fantasia, para dormir mais um pouquinho, para sentir preguiça, itens tão importantes da nossa vida, mas que abandonamos pelo caminho em nossa jornada.
Ainda não sei como será, estou na expectativa pelo início da nova jornada, já com saudades da que se encerra. Na vida e na maternidade sempre chega uma nova fase, não é mesmo? Vida que segue. Que venham os novos desafios!
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