Mamãe também faz escola!

Como contei no início da semana (neste post aqui), esta semana estreamos no Ensino Fundamental. 

Para estes alunos, o Colégio da minha filha disponibiliza transporte dentro do bairro, o que decidimos experimentar também. Estou grávida e, quando o bebê nascer, pode ser muito útil esse recurso, já que não temos nenhuma vovó ou titia por perto para nos ajudar. Sendo assim, na terça feira ela seguiu para a escola toda serelepe, como quem dá seu primeiro grande grito de liberdade, enquanto eu voltava para casa chorosa, pensando que ainda não estou pronta para tanta independência. 
Aí, outro dia ela me perguntou se eu ia de ‘perua’ pra escola também. E eu respondi que não, que desde o segundo dia de aula eu fui sozinha, com a minha amiguinha que morava em frente. E foi assim a vida toda. Cresci numa cidade pequena. Eram três quadras até a escola, e três esquinas movimentadas para atravessar. Ah, sim, isso foi há mais de…, bem, já faz tempo (risos). 
Antes de ser mãe, fui tia. Desde que meus sobrinhos tinham 6 e 8 anos (hoje estão com 19 e 21), eles vêm passar férias comigo. Conforme os anos foram passando, eu os levava para passear de metrô e ia explicando como deveriam se portar caso estivessem sozinhos. Assim, com 13 e 15 anos eles já se aventuravam pela cidade sem a minha companhia. Engraçado, com a Luiza tenho às vezes a sensação de que ela terá 30 anos e eu ainda não vou ter coragem de permitir que ela faça o mesmo. Ando muito reflexiva e todo este movimento tem me feito lembrar de mim mesma e da minha trajetória, de todos os meus feitos e dos meus gritos de liberdade. Ai, ai…
Quando ela era bebê, eu costumava repetir que precisava ter outro filho, senão a ‘grudaria demais’. Mas aos poucos ela foi me ensinando que tinha necessidades que não me cabia satisfazer. Que, para crescer forte e saudável, ela precisava de espaço. E eu fui percebendo que dando espaço a ela, eu também recuperava parte do meu e, aos poucos, podia voltar a existir em todas as outras instâncias que ficam suspensas quando chega um bebê: a mulher, a profissional, a esposa/namorada, a amiga. 
Mas tudo em doses homeopáticas, porque, devo confessar: eu sofro! Acho que sou a pessoa mais enlutada que existe no mundo. Sinto saudades da bebezinha que eu apertava forte enquanto dormia, das primeiras interações fofas. De amamentar e sentir ela tão, tão minha! É fabuloso ver um filho crescer, mas é um tanto dolorido também. Tudo acontece rápido demais!
Ontem vivi outra experiência destas. Nos mudamos há um mês para um condomínio com uma grande área de lazer e uma estrutura bem bacana pra criança. Dois monitores ficam à disposição e se dividem entre cuidar dos pequenos e interagir com os maiores. Luiza ainda não tinha brincado com eles e os novos vizinhos (acho que eu quis ela só pra mim nestas férias). Foi divertido. Ela ficou feliz, nós ficamos felizes e entendemos que o propósito desta escolha era na verdade tentar trazer pra ela um pouco do que tivemos na nossa infância, de brincar na rua, de fazer turma além da escola, de circular livremente, ainda que dentro de muros. 
Não a imagino caminhando sozinha na rua em direção à escola todos os dias, como eu fazia aos seis anos de idade. Mas já começo a experimentar o ‘deixar ir’ que dará a ela a possibilidade de conquistar o mundo (como eu fiz), enquanto me entendo aqui com meus botões de mãe protetora. E vou aprendendo, porque as mães também vão pra escola, não é mesmo?
E vocês, mamães de mocinhos e mocinhas, como foi esse processo? Como é que funciona no coração de vocês esse papo de filho que cresce? Eu gostaria de saber…
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